quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dos pequenos diálogos

- Oi, posso sentar aqui?

- Não sei quem você é, mas pode sim.

- Tudo bem, também não sei quem você é. Mas, então, faz o que aqui, sozinha?

- Penso na vida. Tem alguma bebida aí?

- Não, não tenho. Não bebo, não fumo, não faço nada e sou um cara fodido.

- Interessante, eu fumo, bebo e sou uma garota fodida.

-Pra você ver como a vida é ingrata...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dos estúpidos pensamentos

Ele tinha uma vida, e eu, uma faca.
Fizemos uma troca. Roubei sua vida, e deixei-lhe minha faca.


Cravada no coração.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dos amores platônicos

Ele sorriu. O timing era perfeito. Neste exato momento, ela estaria descendo as escadas do prédio, deveria estar no 3° andar. Ele sabia. Havia a observado durante muito tempo, descobrira seus gostos, seus passos, seus desejos. A conhecia muito bem, aquela vadia prepotente. Sabia quantos minutos ela levava desde a hora de acordar, até o momento de por os pés na rua, com aquele jeito de menina intocável, que só capta olhares vindos de belos rostos angelicais. Ele não era belo, mas isso não dava a ela o direito de rejeitar seu amor, não daquela forma.
Pegou-se pensando em qual seria o nome daquela menina. Não fazia a menor diferença, poderia ser qualquer um, de que isso importava agora? Podia ouvir os passos dela, deveria estar virando à esquerda no corredor do 2° andar. Em poucos segundos ela estaria ali, frente a frente, cara a cara com ele. Suas mãos suavam, não conseguia conter a euforia e o nervosismo que o dominavam. Seu corpo parecia pesado, tinha pequenos espasmos musculares, mas isso, definitivamente, não o atrapalharia. Tirou o punhal do bolso e segurou-o com força, de um modo que não ficasse visível.
Ela surgiu no alto da escada, os cabelos longos presos em uma trança, que deixavam-na com um ar ainda mais infantil. Deveria ter cerca de 14 anos. Tão bonita, tão inocente! Carregava uma pilha de livros e cadernos cor-de-rosa, e parecia não se importar com o que ocorria ao seu redor. Ela notou o rapaz parado perto da porta. Ele era bonito... Os cabelos desgrenhados, a camiseta preta com uma estampa do Kurt Cobain, all star vermelho e a calça rasgada. Já havia o visto muitas vezes nas redondezas, mas ele, provavelmente, nunca a notara. Ela estava no último degrau da escada, quando ele deu um passo a frente. Ela sorriu, ele respondeu-lhe, com um sorriso malicioso.
Não, não seria capaz daquilo. Aquela menina, parecia um anjo. Suas mãos tremeram, segurou o punhal com força, não queria deixá-lo cair. Iria cravá-lo no coração dela, tantas vezes fosse possível, até que não se ouvisse mais sua respiração. Mas ela estava sorrindo para ele. Era um sorriso tão bonito, tão sincero... Não, faltaria-lhe coragem. Ela deu-lhe as costas, seria o momento certo. Ataque-a! Ela virou-se, iria falar algo, mas as palavras não saíam de sua boca, talvez tivesse dito algo, mas fora inaudível. Ficaram olhando-se, sem falar nada. Era como se o mundo tivesse parado de girar. As coisas mudaram de rumo, saíram do eixo, o plano estava arruinado. Era melhor deixá-la ir. Ele abriu a porta, e ela se foi, caminhando alegremente pela rua, como se nada mais importasse.
Que tudo se danasse, ele a amava tanto... Ficou olhando para a lâmina, o punhal refletindo a sua imagem; estava acabado, aquele demônio de tranças havia roubado sua alma.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Das pequenas dúvidas

- Mamãe, por que o céu é tão bonito?
- Não é a beleza do céu, meu bem. Foi o mundo a nossa volta que tornou-se feio demais.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ballerina

Era a hora do chá. Lá, bem longe, onde habita a bailarina, o dia está cinzento. Sim, ela poderia colorí-lo, se quisesse, com seus pliês e piruetas, mas a bailarina estava triste. Nada havia mudado ao seu redor, o problema era ela. Quem sabe fosse a liberdade de seus movimentos que a cansara, ou então, ela já não fosse mais a mesma.

Seu pequeno mundo já não lhe bastava, pois era tudo tão igual que perdera o êxtase. Seus passos ensaiados não lhe satisfaziam mais, a música já não lhe animava e sua pequena sapatilha cor-de-rosa, de repente, parecia-lhe uma corrente, que a prendia ao chão e não lhe deixava voar.

Ela escrevia tudo isso em seu moleskine colorido, olhando pela janela o desenrolar daquele dia tempestuoso e hostil, quando o relógio marcou as cinco horas.



Nada mais importava, era a hora do chá.

domingo, 30 de agosto de 2009

O mundo me tornou tão cética que eu chego a duvidar do azul do céu.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu sempre tive a mania de dar a cara a tapa. Apanho sempre, e não aprendo. Insisto demais nos meus erros, esse é o problema. Na verdade, não é bem esse; o problema, são os outros. Se estou quieta em meu mundo, logo surge alguém para tirar-me a paz. Sufocam-me com juras de amor, de amizade, de carinho, e não percebem que no momento, só o tempo presente realmente importa. Todos prometem a eternidade...
Mas o que é eterno, nesse mundo? Todas as coisas acabam, não importa o quão belas sejam, um dia, tudo vira cinza. E só restam lembranças, que breve serão arrancadas.
Mesmo assim, acho que ainda não aprendi a lição.
Vida, você não cansa de me bater?